Terça-feira, Novembro 29, 2011


Sentes o pulsar do teu sangue até à ponta dos dedos dos pés e sabes, tens a certeza, que aquele grito prestes a soltar-se da tua garganta pode rasgá-la e deixar-te sem palavras para sempre. As tuas unhas cravam-se na parede imprimindo ruídos ensurdecedores que nem as pedras lá fora podem fingir não existir. E tudo o que queres é ter voz... Tudo o que querias era que alguém ouvisse... Mas nem o grito mais gutural que te rasga a garganta, nem as unhas a sangrar quando se cravam na parede, podem impedir todo o teu corpo de implodir antes mesmo de se fazer sentir.


Imagem: "The Scream" de Edvar Munch, 1893.

Terça-feira, Novembro 08, 2011


Adormecido, deixas-te ficar, quase desaparecido, quase uma sombra, quase um suspiro que nunca chegou a acontecer.

Adormecido, deixas-te ficar gelado, quase estático, escondido, talvez não desaparecido, talvez não uma sombra, apenas um espectro à espera do próximo sopro de calor que te acorde do teu sono lento, impenetrável, eterno.


Imagem: "Sleep" de Salvador Dali, 1937.