"Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos, porque o mais, por estar realizado, pertence ao mundo e a toda a gente."
Segunda-feira, Dezembro 12, 2011
Já não sei em que língua se escrevem as minhas letras... Misturo as palavras que nascem em mim e crio novos dialectos ainda não descobertos... Não sei que teclas os meus dedos conhecem, que frases são essas que eles escrevem... Se "a minha pátria é a língua portuguesa", estarei "despatriada"? Crio todos os dias uma nova pátria, uma nova língua, e ainda assim, não encontro nenhuma forma de explicar tudo aquilo que queria dizer, agora que estou tão perto do fim.
Sexta-feira, Dezembro 09, 2011
O último adeus
Tudo o que faço é dizer "Adeus" e ver partir tudo aquilo que sou, tudo o que que gostaria de ser. Todos os dias digo "Adeus" a uma parte diferente de mim... e vejo-a desaparecer lentamente, passo a passo, para nunca mais a encontrar. Os meus lábios secam das vezes que digo "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... e já não tenho força para acenar ao que lá vai em passo lento, em despedida... E espero... Espero que tudo volte, que nada mude, que tudo se transforme, que haja um mundo lá fora que não me diga "Adeus", ao qual eu não tenha de dizer "Adeus". Mas já nada mais em mim sobra que não despedidas... acenos, abraços, "Adeus"... e eu tão cansada de partir... tão exausta de ficar...
Imagem: "Le Petit Prince" de Antoine de Saint-Exupéry.
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