Segunda-feira, Outubro 24, 2011

There's no place like home


Onde estão os meus sapatos vermelhos? Onde posso encontrar os meus sapatos vermelhos para os calçar, bater com os calcanhares, suspirar "There's no place like home" e voar magicamente até casa? Onde perdi os meus sapatos vermelhos que me levariam até aos meus lençóis, de volta para o meu aconchego?

Ah... (Depressa me lembro.) Pois foi... (Relembro.) Eu nunca fui dona desses sapatos vermelhos...


Imagem: Red Shoes Bending Beauty.

Sexta-feira, Outubro 21, 2011

Alice no país das Maravilhas


Sonha que estás no país da Alice, o país das Maravilhas, em que o chapeleiro louco, como sabe que não gostas de chá, te dá um chocolate quente com bolachas para tomar. Sonha que cais na toca do coelho que tem um relógio que não dá horas na mão, porque diz que há todo o tempo de mundo para sonhar e viajar... para quê apressar? Sonha que uma lagarta sábia te dá todos os conselhos necessários para te durarem uma vida. Sonha que o gato risonho te sorri como nunca ninguém sorriu, e te ensina a sorrir. Sonha que a rainha de copas gosta da tua cabeça tal como está... no sítio em que está, sem cortes, e te oferece um baralho de cartas para jogar. Sonha que és a Alice no país das Maravilhas à tua escolha, só teu... Sonha que és a Alice, abre a porta da rua, e tenta continuar a sonhar, mesmo com o frio lá fora, os chapeleiros loucos no metro que querem o teu lugar, os coelhos apressados com horas na mão, as lagartas esguias em que tropeças no chão, os gatos pardos que se atravessam aos teus pés, e as rainhas de copas que cortam cabeças com requintes de malvadez. Sonha que és a Alice, e não tropeces no frio lá fora.


Imagem: Harper Collins - Alice's Adventures in Wonderland, Illustration by Camille Rose Garcia, 2010.

Mensagem sem título

O cursor pisca na expectativa de que ela descubra o que deve escrever.
...
As letras escrevem e apagam-se mil vezes porque embora as letras criem palavras e as palavras criem frases, não há qualquer sentido no alinhamento que os caracteres escolhem.
...
O cursor pisca, cansado, na esperança de que ela decida definitivamente qual é a mensagem desta... mensagem.
...
"Deseja enviar esta mensagem sem texto no corpo da mensagem?"
...
"Deseja enviar esta mensagem sem assunto?"
...
E a única coisa que ela foi capaz de deixar foi uma mensagem muda e sem título.

Terça-feira, Outubro 18, 2011


Se hoje olhasses para mim, talvez visses que não há mais ninguém que olhe para mim, que não há mais nada aqui, que eu estou a um Mundo de distância do teu Mundo... e da minha casa. 

Se hoje olhasses para mim, talvez visses... mas os teus olhos abertos na minha direcção, estão fechados... e hoje, ninguém olha para mim. 


Imagem: "Ivy" de Zhaoming Wu.