Quinta-feira, Abril 05, 2012

Uma constante da vida


Mesmo quando tudo o resto falha, quando mal tens força para lutar, quando achas que já não há mais nada... Sonha! O mais alto que conseguires, o mais longe que quiseres, vai... E então, mesmo que tudo falhe, que nada aconteça ou que já não valha a pena, o sonho, esse que já tiveste, esse que vive em ti, é teu, só teu, ninguém to pode tirar... Quando tudo o resto falha, podes sempre, deves sempre, sonhar...


Imagem: "Rainbow drops" de Pixel Passion em http://www.flickr.com/photos/14151113@N08/5585797084/.

Quarta-feira, Abril 04, 2012

Conta-me uma história! Pode ser uma qualquer. Não precisa de ter príncipes ou princesas, duendes ou dragões. Não precisa de ser num mundo distante ou num tempo que não existe. Não precisa de ser com um enredo difícil, com surpresas pelo caminho. Não precisa de ter lobos maus ou fadas boas, ou qualquer ente mágico ou fora do normal. Não precisa de ser grande ou de ser muito original. Não precisas de inventar nada de novo, não te quero causar transtorno, podes repetir uma história como a ouviste, tal e qual. Não te estou a pedir muito, a sério que não, acredita em mim. Pode ser só uma frase, uma quadra, uma curiosidade. Pode ser uma notícia do jornal, um filme que viste ou uma ideia tua, podes usar a tua imaginação. Sinceramente, pouco me interessa a história, nem sequer quero saber o final. Quero apenas que te deites ao meu lado e que me contes uma história só a mim, só porque sim, só porque eu te pedi. Estás pronto? Podes começar. "Era uma vez..."

Segunda-feira, Março 05, 2012

Porquê?


Porque a minha pele é tão branca que se conseguem ver as minhas veias.
Porque os meus olhos são azuis.
Porque sou baixa.
Porque o meu cabelo é castanho.
Porque falo alto quando quero marcar uma posição.
Porque gosto de ter razão.
Porque é difícil fazer-me rir.
Porque falo pouco.
Porque tenho mau feitio.
Porque não gosto de telefones.
Porque tento ser destemida.
Porque posso ser intempestiva.
Porque às vezes só quero estar sozinha.
Porque outra vezes só quero atenção.
Porque consigo ficar muito tempo calada.
Porque penso demais sobre tudo.
Porque o que quero fazer é escrever.
Porque o que quero ser é feliz.

Porque tudo o que sou não é o que tu me pedes.
Porque não posso ser mais do aquilo que sou.


Imagem: "Envy" da série "In the Evidence of Its Brilliance" de Rui Ribeiro em http://www.cofseeing.com/index.php?/illustration/in-the-evidence-of-its-brilliance/

Sexta-feira, Março 02, 2012

Nota de Aniversário



Este ano não!
Não vou pensar no que ficou para trás,
no que não tenho,
no que não me satisfaz.
Não vou olhar para o passado,
triste e com autocomiseração
chorar pelo meu triste fado.
Este ano não!
Recuso-me!
Eu tenho direitos,
eu posso escolher...
Sim, tenho defeitos,
e então?
Não tenho medo, não me assustam,
eu sei quais são.
E este ano não!
Este ano não me engana
com falas mansas de tempos já idos.
Sim, eu sou pessoana
mas este ano não me engana!
Este ano não!
Que não se atreva!
Este ano não me vai levar,
vou levá-lo eu comigo
e farei dele o que eu bem quiser.
Este ano é meu!
E a quem isto indispuser,
que espere pelo próximo
porque,
este ano, não!


Imagem: Bolo da Magenta / Cake Store em http://www.facebook.com/pages/Cake-Store/242359656243.

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012


Nunca soube falar de amor. 
Sempre tive medo de parecer ridícula,
cliché ou pouco original.
Afinal, é uma palavra tão grande,
tão difícil de dizer
e de conseguir guardar para sempre.
E depois... tu!
Tu mostraste-me o que era amar,
sem medos ou ilusões.
Tu ensinaste-me a confiar,
a acreditar que se podia falar de amor,
que se podia escrever "amor"
e não ser só mais uma palavra,
não ser só mais uma "carta ridícula"...
E mesmo que fosse, já não me preocupava. 
Eu tinha medo de mostrar amor
e tu eras sedento de o manifestar
em carícias, em gestos, em olhares,
e chamavas-me "amor"
e eu não gostava,
mas também te amava.
Tu deste-me uma nova forma de amar,
sem restrições ou vergonhas,
sem limitações ou  preocupações com o ridículo.
E depois... tu!
Tu já não me sabias amar,
nem com carícias, ou gestos ou olhares,
e deixaste de me chamar "amor"
e eu não disse nada,
mas ainda te amava. 
Levaste o amor contigo
e eu deixei de saber como amar.
Nunca soube falar de amor. 
É uma palavra tão pequena que se perde em mim
e que me faz sentir ridícula porque... 
para mim, já não há "cartas ridículas",
e eu já não escrevo "amor".


Imagem: Love Sculpture from Robert Indiana, Sixth Avenue, Manhattan, NYC.

Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

Já não sei em que língua se escrevem as minhas letras... Misturo as palavras que nascem em mim e crio novos dialectos ainda não descobertos... Não sei que teclas os meus dedos conhecem, que frases são essas que eles escrevem... Se "a minha pátria é a língua portuguesa", estarei "despatriada"? Crio todos os dias uma nova pátria, uma nova língua, e ainda assim, não encontro nenhuma forma de explicar tudo aquilo que queria dizer, agora que estou tão perto do fim.

Sexta-feira, Dezembro 09, 2011

O último adeus


Tudo o que faço é dizer "Adeus" e ver partir tudo aquilo que sou, tudo o que que gostaria de ser. Todos os dias digo "Adeus" a uma parte diferente de mim... e vejo-a desaparecer lentamente, passo a passo, para nunca mais a encontrar. Os meus lábios secam das vezes que digo "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... e já não tenho força para acenar ao que lá vai em passo lento, em despedida... E espero... Espero que tudo volte, que nada mude, que tudo se transforme, que haja um mundo lá fora que não me diga "Adeus", ao qual eu não tenha de dizer "Adeus". Mas já nada mais em mim sobra que não despedidas... acenos, abraços, "Adeus"... e eu tão cansada de partir... tão exausta de ficar...


Imagem: "Le Petit Prince" de Antoine de Saint-Exupéry.