domingo, abril 26, 2015

26 de Abril de 2015



Ontem,
até o sol se recusou a aparecer,
até o tempo chorou,
até a chuva gritou,
até os trovões abanaram o mundo,
troaram bem alto, em revolta...

25 de Abril sempre?
Onde?
Quando?
Para quando o fim do esquecimento?

segunda-feira, junho 24, 2013

Há pessoas que me faltam tanto
(todos os dias
a cada dia)
que há dias em que já nem sei
(em que quase me esqueço)
que me faltam...

segunda-feira, março 25, 2013

Saber o saber

Não sei se sabes o que eu quero que tu saibas mas antes de saber o que eu sei que quero que tu saibas dizes que sabes tudo o que eu sei e tudo o que quero que se saiba mesmo sem eu o saber. Sabes? Eu já não sei saber...

sábado, março 23, 2013


sinto qualquer coisa de indefinido
no meu umbigo
quando respiro
quando espirro
e não o consigo
discernir.

é qualquer coisa de indesejado
de inusitado
todo o meu corpo amarrotado
despojado
abandonado
e quero fugir.

quero arrancar este desassossego
este desapego
do meu corpo cego
e eu já não chego
e eu a mim renego
e vou desistir

é um tão grande aperto
já tão sem conserto
que tudo é incerto
um grande deserto
de onde não desperto
sinto-me cair.

numa queda sem fim
perco-me de mim
e chego como vim
finalmente ao fim
sem saber assim
o que é sentir.



Imagem: "Self Portrait Suspended V", 2004 de Sam Taylor-Wood.

segunda-feira, março 18, 2013

Não houve quem ouvisse



Eu só queria que me ouvisses...
Mas há uma qualquer falha na comunicação
talvez um problema de sintonização...
Eu digo uma coisa
mas tu respondes a outra
e se eu te digo "ouve"
tu ouves...
Tu ouves?

Queria pedir que me ouvisses
mas já sei que não há solução
e já sei que vai dar discussão...
Mas, por favor, ouve-me!
É como se eu fosse muda,
ou tu surdo...
Como se falássemos a mesma língua
mas dialectos diferentes...
Como se estivéssemos em continentes distantes
a tentar enviar sinais de fumo intrigantes...

Eu só queria que me ouvisses,
queria pedir que me ouvisses...
Mas tu dizes "pára!"
e que eu não sei quando parar.
Por isso paro antes de começar.
E as palavras que não houve
jamais tu as vais ouvir.


Imagem: "Crystal Girl, N89", 2010 de Noé Sendas em http://www.galeriaraquelponce.es/es/index.php/representados/noe-sendas.

terça-feira, fevereiro 05, 2013



Dorme dorme balão dorme...
Sonha sonha balão sonha...
Aproveita!
Cedo, vais rebentar. 



Imagem: Tirada de http://www.curiositiesbydickens.com/balloons-in-the-sky/.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Estou presa numa camisa de onze varas

Se tento desapertar os botões,
pico-me.
Se não faço nada, as varas olham para mim,
esperam,
por me picar.

E agora?
Como é que eu faço para me deitar?

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Desculpa

Desculpa
(Het spijt me
Olen pahoillani
Tut mir leid
Çok üzgünüm
I'm sorry
Przykro mi
Je suis désolé
Jeg beklager
Tá brón orm
Lo Siento
Žao mi je
Je mi to líto
Mi dispiace
Doumo sumimasen)
mas não vou pedir desculpa.

domingo, janeiro 27, 2013

Exercícios para entrar no novo ano com o pé direito


É muito importante entrar no novo ano com o pé direito. Em anos anteriores, tenho-me desleixado nesta tarefa. Às vezes entro no ano a dançar, sem saber se é o pé direito se é o esquerdo que vai primeiro; às vezes entro no ano a saltar, entrando assim de rompante no ano que mal começa; e às vezes, confesso, entro com o pé esquerdo, sem pensar nas consequências que isso me trará para o resto do ano. Mas desta vez não! Este ano não quero mesmo falhar neste difícil exercício por isso decidi estudar bem a lição e planear três passos infalíveis (todos eles com o pé direito em mente), para entrar no ano novo (vida nova) em grande estilo...

Primeiro, há que não ter problemas de lateralidade... É fundamental saber qual é o pé direito, qual o esquerdo, para sabermos qual o que devemos avançar primeiro na direcção do novo ano. Assim, passei semanas a estudar o meu pé direito e o esquerdo. Posso confirmar que, tanto consigo ver, são iguais, o direito é ligeiramente maior que o esquerdo. Por outro lado, confirmo também que continuo a não achar os pés uma parte bonita da anatomia humana.

Segundo, é preciso relaxar, não podemos estar muito nervosos se não ainda podemos tropeçar, esquecer de pôr um pé à frente do outro, ou corremos mesmo o risco de os pés irem e nós ficarmos para trás. Nesse sentido, passei semanas em exercícios zen, de relaxamento, para estar calma no momento da "grande entrada". Este exercício teve de ser interrompido rapidamente quando me apercebi que as sessões zen eram demasiado calmas e silenciosas para mim, deixando-me por isso com os nervos em franja.

Terceiro, há que não ter medo, o que queremos é convicção! Há muito tempo ensinaram-me: faças o que fizeres, fá-lo com convicção e vai correr tudo bem. Há muito tempo, percebi que isso é mentira... Mas percebi-o com muita convicção!

Tudo pronto... Já sei qual é o meu pé direito; já inspirei bem fundo; transpiro convicção... avante com o pé direito, novo ano aqui vou eu!

...

E o pé direito tropeça-se no ano passado, e o esquerdo neste ano que chegou... os pés ficam para trás e entro no novo ano assim mesmo, como tem de ser, de cabeça... e com muita convicção!

(Eu bem que nunca gostei de pés...)



Imagem: Tirada de http://www.hdwallpapers.in/in_shoes-wallpapers.html.  

segunda-feira, novembro 26, 2012

Um dia vais olhar para trás e, naquele espaço em que espero por ti (em que sempre esperei por ti), não vais encontrar ninguém que te espere.

segunda-feira, junho 04, 2012

O Príncipe Encantado pode ficar para a Cinderela


Não quero um príncipe encantado. Não sei que vos diga, não quero. Parece-me demasiado aborrecido. Não precisa de ser perfeito, de dizer sempre as coisas certas, de vir em meu socorro e de encontrar o meu sapatinho de cristal. É que eu nem sou de sapatos de cristal ou de histórias de princesas. Ainda se falassem de sapatilhas... Não quero os grandes gestos, as flores, as vénias e os chocolates. Bem... os chocolates podem ficar, mas as flores, deixem-nas no jardim. Não tem de dançar valsas comigo e de me rodopiar pelo salão. É que voltas e voltas deixam uma pessoa zonza, e eu quero estar bem lúcida quando olhar para ele. Não precisa de ter um cavalo... mas se tiver, aí não sou intransigente. Aceito-o a ele e ao cavalo. Não quero que me abra as portas: do carro, de casa, seja de onde for. Não quero que me puxe a cadeira para sentar. Eu pratico muito desporto e, talvez por isso, também consigo abrir portas e sentar-me em cadeiras sozinha. Não precisa de ter um castelo ou uma mansão com piscina. Mas se tiver... não o mando embora, dou uns mergulhos na piscina e peço-lhe um mapa do espaço. Pode ser que nos encontremos a meio do caminho (dizem que é onde os amantes se devem encontrar - no caminho um para o outro). Não quero que me conduza. Só às vezes. Podemos partilhar. No carro como na vida, gosto de conduzir.

Não quero um príncipe que pareça bonito no papel das histórias de encantar. Esse, pode ficar para a Cinderela. Quero alguém real, com tudo aquilo a que tenho direito, o bom e o mau. Alguém que goste de mim. Alguém que queira cuidar de mim... Atenção! Eu não preciso que ninguém cuide de mim! Mas não o posso impedir de o querer... Quero aquilo que quero! E não me hei de contentar com absolutamente mais nada. É que esta princesa sabe bem o quer... e não é o príncipe encantado.

quinta-feira, abril 05, 2012

Uma constante da vida


Mesmo quando tudo o resto falha, quando mal tens força para lutar, quando achas que já não há mais nada... Sonha! O mais alto que conseguires, o mais longe que quiseres, vai... E então, mesmo que tudo falhe, que nada aconteça ou que já não valha a pena, o sonho, esse que já tiveste, esse que vive em ti, é teu, só teu, ninguém to pode tirar... Quando tudo o resto falha, podes sempre, deves sempre, sonhar...


Imagem: "Rainbow drops" de Pixel Passion em http://www.flickr.com/photos/14151113@N08/5585797084/.

quarta-feira, abril 04, 2012

Conta-me uma história! Pode ser uma qualquer. Não precisa de ter príncipes ou princesas, duendes ou dragões. Não precisa de ser num mundo distante ou num tempo que não existe. Não precisa de ser com um enredo difícil, com surpresas pelo caminho. Não precisa de ter lobos maus ou fadas boas, ou qualquer ente mágico ou fora do normal. Não precisa de ser grande ou de ser muito original. Não precisas de inventar nada de novo, não te quero causar transtorno, podes repetir uma história como a ouviste, tal e qual. Não te estou a pedir muito, a sério que não, acredita em mim. Pode ser só uma frase, uma quadra, uma curiosidade. Pode ser uma notícia do jornal, um filme que viste ou uma ideia tua, podes usar a tua imaginação. Sinceramente, pouco me interessa a história, nem sequer quero saber o final. Quero apenas que te deites ao meu lado e que me contes uma história só a mim, só porque sim, só porque eu te pedi. Estás pronto? Podes começar. "Era uma vez..."

segunda-feira, março 05, 2012

Porquê?


Porque a minha pele é tão branca que se conseguem ver as minhas veias.
Porque os meus olhos são azuis.
Porque sou baixa.
Porque o meu cabelo é castanho.
Porque falo alto quando quero marcar uma posição.
Porque gosto de ter razão.
Porque é difícil fazer-me rir.
Porque falo pouco.
Porque tenho mau feitio.
Porque não gosto de telefones.
Porque tento ser destemida.
Porque posso ser intempestiva.
Porque às vezes só quero estar sozinha.
Porque outra vezes só quero atenção.
Porque consigo ficar muito tempo calada.
Porque penso demais sobre tudo.
Porque o que quero fazer é escrever.
Porque o que quero ser é feliz.

Porque tudo o que sou não é o que tu me pedes.
Porque não posso ser mais do aquilo que sou.


Imagem: "Envy" da série "In the Evidence of Its Brilliance" de Rui Ribeiro em http://www.cofseeing.com/index.php?/illustration/in-the-evidence-of-its-brilliance/

sexta-feira, março 02, 2012

Nota de Aniversário



Este ano não!
Não vou pensar no que ficou para trás,
no que não tenho,
no que não me satisfaz.
Não vou olhar para o passado,
triste e com autocomiseração
chorar pelo meu triste fado.
Este ano não!
Recuso-me!
Eu tenho direitos,
eu posso escolher...
Sim, tenho defeitos,
e então?
Não tenho medo, não me assustam,
eu sei quais são.
E este ano não!
Este ano não me engana
com falas mansas de tempos já idos.
Sim, eu sou pessoana
mas este ano não me engana!
Este ano não!
Que não se atreva!
Este ano não me vai levar,
vou levá-lo eu comigo
e farei dele o que eu bem quiser.
Este ano é meu!
E a quem isto indispuser,
que espere pelo próximo
porque,
este ano, não!


Imagem: Bolo da Magenta / Cake Store em http://www.facebook.com/pages/Cake-Store/242359656243.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012


Nunca soube falar de amor. 
Sempre tive medo de parecer ridícula,
cliché ou pouco original.
Afinal, é uma palavra tão grande,
tão difícil de dizer
e de conseguir guardar para sempre.
E depois... tu!
Tu mostraste-me o que era amar,
sem medos ou ilusões.
Tu ensinaste-me a confiar,
a acreditar que se podia falar de amor,
que se podia escrever "amor"
e não ser só mais uma palavra,
não ser só mais uma "carta ridícula"...
E mesmo que fosse, já não me preocupava. 
Eu tinha medo de mostrar amor
e tu eras sedento de o manifestar
em carícias, em gestos, em olhares,
e chamavas-me "amor"
e eu não gostava,
mas também te amava.
Tu deste-me uma nova forma de amar,
sem restrições ou vergonhas,
sem limitações ou  preocupações com o ridículo.
E depois... tu!
Tu já não me sabias amar,
nem com carícias, ou gestos ou olhares,
e deixaste de me chamar "amor"
e eu não disse nada,
mas ainda te amava. 
Levaste o amor contigo
e eu deixei de saber como amar.
Nunca soube falar de amor. 
É uma palavra tão pequena que se perde em mim
e que me faz sentir ridícula porque... 
para mim, já não há "cartas ridículas",
e eu já não escrevo "amor".


Imagem: Love Sculpture from Robert Indiana, Sixth Avenue, Manhattan, NYC.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Já não sei em que língua se escrevem as minhas letras... Misturo as palavras que nascem em mim e crio novos dialectos ainda não descobertos... Não sei que teclas os meus dedos conhecem, que frases são essas que eles escrevem... Se "a minha pátria é a língua portuguesa", estarei "despatriada"? Crio todos os dias uma nova pátria, uma nova língua, e ainda assim, não encontro nenhuma forma de explicar tudo aquilo que queria dizer, agora que estou tão perto do fim.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

O último adeus


Tudo o que faço é dizer "Adeus" e ver partir tudo aquilo que sou, tudo o que que gostaria de ser. Todos os dias digo "Adeus" a uma parte diferente de mim... e vejo-a desaparecer lentamente, passo a passo, para nunca mais a encontrar. Os meus lábios secam das vezes que digo "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... "Adeus"... e já não tenho força para acenar ao que lá vai em passo lento, em despedida... E espero... Espero que tudo volte, que nada mude, que tudo se transforme, que haja um mundo lá fora que não me diga "Adeus", ao qual eu não tenha de dizer "Adeus". Mas já nada mais em mim sobra que não despedidas... acenos, abraços, "Adeus"... e eu tão cansada de partir... tão exausta de ficar...


Imagem: "Le Petit Prince" de Antoine de Saint-Exupéry.

terça-feira, novembro 29, 2011


Sentes o pulsar do teu sangue até à ponta dos dedos dos pés e sabes, tens a certeza, que aquele grito prestes a soltar-se da tua garganta pode rasgá-la e deixar-te sem palavras para sempre. As tuas unhas cravam-se na parede imprimindo ruídos ensurdecedores que nem as pedras lá fora podem fingir não existir. E tudo o que queres é ter voz... Tudo o que querias era que alguém ouvisse... Mas nem o grito mais gutural que te rasga a garganta, nem as unhas a sangrar quando se cravam na parede, podem impedir todo o teu corpo de implodir antes mesmo de se fazer sentir.


Imagem: "The Scream" de Edvar Munch, 1893.

terça-feira, novembro 08, 2011


Adormecido, deixas-te ficar, quase desaparecido, quase uma sombra, quase um suspiro que nunca chegou a acontecer.

Adormecido, deixas-te ficar gelado, quase estático, escondido, talvez não desaparecido, talvez não uma sombra, apenas um espectro à espera do próximo sopro de calor que te acorde do teu sono lento, impenetrável, eterno.


Imagem: "Sleep" de Salvador Dali, 1937.